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O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafon

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O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafon

Mensagem por Beatriz em 3/12/2013, 10:30

 

Sei que já disse isso antes, mas, eu amo os livros desse cara!

          Em O príncipe da névoa o Zafon encontrou novas maneiras de me confundir e cativar; enganando-me com todas as suas pistas. Tudo o que eu deduzi, estava errado no final.
           O príncipe da névoa (1993) é o primeiro livro do autor. E compõe junto com O palácio da meia-noite (1994), As luzes de Setembro (1995) e Marina (1999) uma coleção de livros para jovens adultos.

“Ao revisitar um livro escrito há tantos anos, o romancista se sente tentado a usar algumas coisas que aprendeu na prática de seu ofício para reconstruir e reescrever quase tudo, mas nesse caso achei que devia deixar a obra tal como é, com seus defeitos e sua personalidade intactos.”

Carlos Ruiz Zafon
Maio de 2006



O livro conta a história de uma família que se muda para o litoral a fim de fugir da guerra. O Maximilian Caver, relojoeiro, compra então uma casa com o passado sombrio. Segundo os moradores da cidade, um casal havia mandado construir uma casa para passarem o verão, e após de algum tempo tiveram um filh, Jacob Fleischmann, que morreu afogado em frente à casa com 5 anos. E esse é um nome importante no livro, bom não esquecer.
 Mudaram-se então, o casal e seus três filhos, Max, Irina e Alice. Antes de se mudarem Alice teve sonhos com um palhaço assustador e logo depois de chegarem, Max descobre um peculiar Jardim de estátuas circenses atrás da casa na praia. Coisas ruins acontecem e Max, Alice e Roland (um novo amigo) tentam descobrir respostas antes que seja tarde demais.

“A muito tempo, quando eu tinha a idade de vocês, o destino fez com que a minha vida cruzasse com a de um dos maiores trapaceiros que já pisou nesse mundo. Nunca cheguei a conhecer seu verdadeiro nome. No bairro pobre onde eu vivia, todos os meninos da rua o chamavam de Cain. Outros preferiam o chamar de Príncipe da Névoa,porque, segundo diziam, sempre surgia no meio da densa névoa que cobria os becos da cidade à noite e desaparecia antes do amanhecer, ainda no meio das trevas.”


 Eu não coloquei nem um terço do que acontece nessa resenha. O livro abriga perigosos segredos, que irão assustar e interessar até quem não tem medo de palhaços (eu tenho). Com direito a feiticeiros, naufrágios, maldição e primeiro amor.  Indico o livro para quem gosta de magia, suspense, romance e investigação. Tá vai, eu indico para todo mundo!

Boa Leitura!!


 love 
1º Capítulo:
Muitos anos haveriam de passar antes que Max esquecesse o verão em que, quase por acaso, descobriu a magia. Corria o ano de 1943 e os ventos da guerra inevitavelmente empurravam o mundo ladeira abaixo. Em meados de junho, no dia em que Max fazia 13 anos, seu pai, relojoeiro e inventor nas horas vagas, reuniu a família na sala e anunciou que aquele era o último dia que passariam naquele que tinha sido o seu lar nos últimos dez anos. A família ia se mudar para a costa, longe da cidade e da guerra: uma casa perto da praia, num vilarejo às margens do Atlântico.

A decisão era definitiva: partiriam ao amanhecer do dia seguinte. Até lá, deveriam empacotar todos os seus pertences e se preparar para a longa viagem até o novo lar.

A família recebeu a notícia sem grande surpresa. Quase todo mundo já imaginava que a ideia de abandonar a cidade em busca de um lugar mais habitável rondava a cabeça do bom Maximilian Carver há muito tempo; todo mundo menos Max. Para ele, a notícia teve o efeito de uma locomotiva enlouquecida passando por uma loja de porcelanas chinesas. Ficou abobalhado, de boca aberta e olhar ausente. Durante esse breve transe, passou pela sua cabeça a terrível certeza de que todo o seu mundo estava prestes a desaparecer para sempre, inclusive os amigos da escola, a turma da rua e a banca de jornal da esquina com seus quadrinhos prediletos. Assim, de uma hora para outra.

Enquanto os outros membros da família iam arrumar a bagagem com ar de resignação, Max permaneceu imóvel, olhando para o pai. O bom relojoeiro se ajoelhou diante do filho e colocou as mãos em seus ombros. O olhar de Max falava mais claramente do que um livro.

— Sei que agora parece o fim do mundo, Max, mas garanto que vai gostar muito do lugar para onde vamos. E não vai demorar para fazer novos amigos.

— É por causa da guerra? — perguntou Max. — É por isso que temos que ir embora?

Maximilian Carver abraçou o filho e depois, sem parar de sorrir, tirou do bolso do paletó um objeto brilhante pendu- rado numa corrente e colocou entre as mãos de Max. Um relógio de bolso.

— Fiz especialmente para você. Feliz aniversário, Max.

Max abriu o relógio de prata lavrada. No interior do círculo, cada hora era marcada pelo desenho de uma lua que crescia e minguava com o avançar das horas, ao compasso dos ponteiros formados pelos raios de um sol que sorria no coração do relógio. Na tampa, gravada em letra cursiva, lia-se uma frase: “A máquina do tempo de Max.”

Naquele dia, sem saber, enquanto contemplava a família andando para cima e para baixo com as malas e apertava nas mãos o relógio dado por seu pai, Max deixou para sempre de ser um menino.

Max não pregou o olho na noite do seu aniversário. Enquanto os outros dormiam, esperou a chegada inevitável daquele ama- nhecer que marcava a despedida final do pequeno universo que tinha criado para si mesmo ao longo dos anos. Passou aquelas horas em silêncio, estendido na cama com o olhar perdido nas sombras azuis que dançavam no teto do seu quarto, como se esperasse que se transformassem num oráculo capaz de desenhar seu destino daquele dia em diante. Apertava na mão o relógio que seu pai tinha feito para ele. No mostrador, as luas brilhavam sorridentes na penumbra noturna. Talvez elas tivessem a resposta para todas as perguntas que Max tinha acumulado desde o começo da tarde.

Finalmente, as primeiras luzes da manhã despontaram sobre o horizonte azul. Max pulou da cama e foi para a sala. Maximilian Carver estava sentado numa poltrona, vestido e segurando um livro junto à luz de um lampião. Max percebeu que não tinha sido o único a passar a noite em claro. O relojoeiro sorriu e fechou o livro.

— O que está lendo? — perguntou Max, apontando para o grosso volume.

— É um livro sobre Copérnico. Sabe quem foi Copérnico? — indagou o relojoeiro.

— Estou na escola — respondeu Max.

Seu pai gostava de perguntar cada coisa... era como se ele tivesse acabado de chegar ao mundo.

— E o que sabe dele? — insistiu.

— Descobriu que a Terra gira ao redor do Sol e não o contrário.

— Mais ou menos. E sabe o que isso significou? — Problemas — devolveu Max.

O relojoeiro deu um largo sorriso e estendeu o pesado

— Tome, é seu. Leia.

Max inspecionou o misterioso volume encadernado em couro. Parecia ter mil anos e servir de abrigo para o espírito de algum velho gênio preso àquelas páginas por uma maldição centenária.

— Muito bem — interrompeu seu pai —, quem vai acordar suas irmãs?

Sem levantar os olhos do livro, Max indicou com a cabeça que cedia a honra de arrancar Alicia e Irina, suas duas irmãs de 15 e 8 anos respectivamente, de seu sono profundo.

Em seguida, enquanto o pai ia despertar a família, abriu completamente o livro e começou a ler. Meia hora mais tarde, a família em peso cruzava pela última vez a entrada da casa em direção à nova vida. O verão tinha começado.

Max tinha lido uma vez, num dos livros do pai, que certas imagens da infância ficam gravadas no álbum da mente como fo- tografias, como cenários aos quais, não importa o tempo que passe, a pessoa sempre volta e nunca esquece. Max compreendeu o sentido daquelas palavras na primeira vez em que viu o mar. Estavam há mais de cinco horas no trem quando, de repente, na saída de um túnel escuro, uma lâmina infinita de luz e claridade reveladora se estendeu diante de seus olhos. O azul elétrico do mar resplandecente sob o sol do meio-dia ficou gravado em sua retina como uma aparição sobrenatural. Enquanto o trem seguia seu caminho a poucos metros do mar, Max enfiou a cabeça pela janelinha e sentiu pela primeira vez o vento impregnado do cheiro de maresia sobre a pele. Virou para o pai, que olhava para ele da outra extremidade da cabine do trem com um sorriso misterioso, dizendo “sim” a uma pergunta que Max nem tinha formulado. Soube então que não importava qual era o destino daquela viagem, nem em que estação o trem ia parar; daquele dia em diante, nunca mais viveria num lugar de onde não pudesse ver, toda manhã ao acordar, aquela luz azul ofuscante que subia até o céu como um vapor mágico e transparente. Era uma promessa que fazia a si mesmo.

Enquanto Max contemplava o trem se afastar parado na plataforma, Maximilian Carver deixou a família e as bagagens diante do escritório do chefe da estação por alguns minutos e foi negociar com um dos transportadores locais um preço razoável para levar baús, pessoas e toda a parafernália até o destino final. A primeira impressão de Max sobre a aparência da cidade, da estação e das primeiras casas, cujos tetos despontavam timidamente por sobre as árvores ao redor, foi de que aquele lugar parecia uma maquete, uma daquelas aldeias construídas em miniatura por colecionadores de trens elétricos, onde quem se aventurasse a caminhar além da conta podia acabar caindo da mesa. Diante dessa ideia, Max estava começando a bolar uma interessante variação da teoria de Copérnico sobre o mundo quando sua mãe, a seu lado, o tirou de seus devaneios cósmicos.

— E então? Aprovada ou reprovada?

— Ainda é cedo para dizer — respondeu Max. — Parece uma maquete. Como aquelas das vitrines de lojas de brinquedos.

— Vai ver que é — disse a mãe, sorrindo. Quando sorria, Max podia ver em seu rosto um pálido reflexo de sua irmã Irina.

— Não vá dizer isso a seu pai — continuou. — Lá vem ele.

Maximilian Carver chegou de volta escoltado por dois robustos motoristas, com as respectivas roupas salpicadas de manchas de graxa, fuligem e alguma outra substância impossível de identificar. Ambos exibiam vistosos bigodes e um gorro de marinheiro, como se esse fosse o uniforme de sua profissão. — Esses são Robin e Philip — explicou o relojoeiro. — Robin leva as malas e Philip, a família. Certo?

Sem esperar pela aprovação familiar, os dois fortões se dirigiram até a montanha de baús e saíram carregando o mais volumoso sem demonstrar o menor esforço. Max extraiu o relógio e contemplou o círculo das luas risonhas. Os ponteiros marcavam duas da tarde. O velho relógio da estação marcava meio-dia e meia.

— O relógio da estação está ruim — murmurou Max.

— Está vendo? — respondeu, eufórico, o pai. — Acaba- mos de chegar e já temos trabalho.

Sua mãe sorriu sem entusiasmo, como sempre fazia dian- te das mostras do otimismo radiante de Maximian Carver, porém Max leu em seus olhos uma sombra de tristeza e aquela estranha luminosidade que, desde pequeno, o fez acreditar que sua mãe era capaz de adivinhar o futuro, vendo coisas que os outros não podiam enxergar.

— Vai dar tudo certo, mamãe — disse Max, sentindo-se um idiota logo depois de ter pronunciado aquelas palavras.

Sua mãe fez um carinho em seu rosto e sorriu.

— Claro, Max. Tudo vai dar certo.

Naquele momento, Max teve certeza de que alguém o observava. Girou rápido os olhos e viu, entre as barras de uma das janelas da estação, um grande gato listrado que o contem- plava fixamente, como se pudesse ler seus pensamentos. O felino piscou e, num salto que exibia uma agilidade inacredi- tável para um animal daquele tamanho, gato ou não, aproxi- mou-se da pequena Irina e esfregou as costas contra os torno- zelos brancos da irmã de Max. A menina ajoelhou para acariciar o animal, que miava suavemente. Irina pegou-o no colo e ele se deixou acarinhar mansamente, lambendo doce- mente os dedinhos da menina, que sorria enfeitiçada pelo encanto do felino. Com o gato nos braços, Irina foi até o lugar onde a família esperava.

— Acabamos de chegar e você já arranjou um bicho. Não gosto nem de pensar nas doenças que pode ter — sentenciou Alicia, evidentemente irritada.

— Não é um bicho. É um gato e está abandonado — replicou Irina. — Mamãe?

— Ainda nem chegamos em casa, Irina — começou a mãe.

A menina forçou uma expressão de tristeza, e o felino contribuiu com um miado doce e sedutor.

— Ele pode ficar no jardim. Por favor...

— É um gato gordo e sujo — comentou Alicia. — Vai deixar que apronte mais uma?

Irina dirigiu à irmã mais velha um olhar penetrante e afiado que prometia uma declaração de guerra a menos que ela calasse a boca. Alicia sustentou o olhar por alguns instantes, mas depois virou com um suspiro de raiva e foi caminhando até o local para onde os carregadores estavam levando a bagagem. No caminho, cruzou com o pai, que notou o rosto aver- melhado de Alicia.

— Já começamos a brigar? — perguntou Maximilian Carver. — Quem é esse?

— Está sozinho e abandonado. Podemos ficar com ele? Vai ficar no jardim e pode deixar que eu cuido dele. Prometo — apressou-se a explicar Irina.

Tonto, o relojoeiro olhou para o gato e em seguida para a esposa.

— Não sei o que sua mãe vai achar...

— E você, Maximilian Carver, o que acha? — replicou ela, com um sorriso que evidenciava seu divertimento diante do dilema que imobilizava o marido.

— Bem, teríamos que levá-lo ao veterinário, e além disso... — Por favor... — gemeu Irina. O relojoeiro e a mulher trocaram um olhar de cumplicidade. — Por que não? — concluiu Maximilian Carver, incapaz de começar o verão com um conflito familiar. — Mas você é responsável por ele, promete?

O rosto de Irina se iluminou, e as pupilas do felino se estreitaram até se transformarem em duas agulhas negras sobre a esfera dourada e luminosa dos olhos.

— Vamos! Ande! Já embarcaram as malas — disse o relojoeiro.

Sempre com o gato no colo, Irina correu na direção das caminhonetes. O felino, com a cabeça apoiada no ombro da menina, manteve os olhos cravados em Max. “Estava esperando por nós”, pensou ele.

— Não fique aí parado, Max. Mova-se! — insistiu o pai pondo-se a caminho de mãos dadas com a mãe.

Max os acompanhou.

Foi então que alguma coisa o fez olhar para trás, para a calota escurecida do relógio da estação. Examinou cuidadosa- mente e percebeu que havia alguma coisa nela que não batia. Max lembrava perfeitamente que, ao chegar à estação, o relógio marcava meio-dia e meia. Pois agora os ponteiros marca- vam dez para o meio-dia.

— Max! — gritou a voz do pai, chamando-o. — Estamos indo!

— Já vou... — murmurou Max consigo mesmo, sem parar de olhar para os ponteiros.

O relógio não estava desregulado; funcionava perfeita- mente, mas com uma peculiaridade: andava para trás.

Na minha estante:
 


Última edição por Beatriz em 20/12/2013, 15:31, editado 1 vez(es)

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Re: O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafon

Mensagem por Nefertinny_Nyx em 3/12/2013, 10:39

uhuuu adorooo

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