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conto: giulianyx

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conto: giulianyx

Mensagem por Nefertinny_Nyx em 16/11/2013, 18:37

Este é um conto que estou escrevendo, conta a história de uma jovem que viveu na época do povo celta. Na Galia. que acham de como esta ficando??

                            Giulianyx

Minha vida é literalmente uma sobrevivência diária, minha rotina é praticamente a mesma todos os dias.
Morava com Haylla em uma casa muito pequena, é praticamente um barraco feito de pedras, argilas e rochas, que fica dentro de uma floresta, do lado da grande campina.
Acordava cedo, pouco antes do sol nascer. As vezes ouvia  minha tutora ainda dormindo perto de mim, mas na maioria das vezes, ela já estava de pé bem antes de mim e me esperava para começarmos a fazer todas as obrigações.
Colocava minhas simples e surradas vestimentas, pegava meu guia e ia para a clareira que nós duas abrimos, onde sei que Haylla se encontraria.
Sou uma mulher Gaulesa celta. Meu povo já teve dias melhores, antes desses estrangeiros que invadiram nossas terras e nos fizeram aderir suas estranhas tradições e costumes e até a língua. Porém existem alguns que se recusam a deixar nossas raízes, minha mentora e eu mantivemos nossos próprios costumes.
Infelizmente, mesmo para os padrões da minha terra, eu jamais poderia ter uma vida comum. Tive uma criação diferente da minha geração, pois eu nasci com uma deficiência que, se não fosse por Haylla, teria me feito dependente de todos, eu teria uma sobrevida. Eu  nasci cega.
Quando andava pela campina eu a ouvi disparando flechas com seu arco. Tentei chegar sorrateiramente, sem fazer barulho. Porém quando coloquei os pés perto da clareira uma flecha passou zunindo ao lado de minha orelha direita, por reflexo, elevei minha mão direita e agarrei a flecha.
---  Por todos os deuses Giulianyx, Não faça mais isso, não se aproxime dessa maneira, posso te confundir com outra pessoa! Faça sempre um som familiar! Céus eu poderia ter te acertado facilmente! – Haylla ralhou comigo irritada.
Eu me mantive em silêncio e franzi o nariz quando ela disse meu nome. Aliás, eu sempre me mantenho em silêncio. Nunca fui de falar muito, prefiro ouvir as coisas ao meu redor. Saquei minha espada, forjada especialmente para mim e comecei a treinar os movimentos que eu conheço tão bem enquanto pensava e me lembrava de coisas do meu passado que eu jamais vou poder saber.
Senti os olhos dela sobre mim, me observando. Mesmo que não pudesse ver, meus outros sentidos são muito aguçados. Em parte por eu depender tanto deles para compensar a cegueira, em parte pelo treinamento que recebi de Haylla.
Ela era uma mulher incomum. Não tinha muita intimidade com ninguém, talvez, um pouco comigo por convivermos tanto ao passar dos anos.
Tendo ela me encontrado perdida na floresta ainda recém-nascida. Nada sabemos sobre minha família biológica, mas, minha aparência tem fortes traços gauleses.
Ela era a única mulher dentre muitos irmãos e se aprimorou na arte da guerra junto com eles. Subestima-la por ser mulher é era erro mortal, pois nunca conheci homem tão valente e habilidoso com armas igual à Haylla.
Ela perdeu toda sua família ainda muito jovem com a guerra na guerra que se abateu sobre nossa querida Gália e quando me encontrou, mesmo quando notou minha deficiência, me acolheu como uma mãe acolhe um filho.
Haylla se tornou minha mãe, minha mentora, minha família. Todos os ensinamentos que ela recebeu, ela passou para mim. Claro que eu tive de me adaptar a um monte de coisas conforme ia crescendo para sobreviver sozinha.
Aprendi a manejar a espada e o arco e também a lutar usando os outros sentidos para poder saber onde se encontra e como atingir o oponente durante uma briga.
Com minha audição sensível eu podia ouvir a direção dos passos do inimigo ou detectar qualquer aproximação desconhecida, não importava quão sorrateiro ou sutil.
Com o tato sensível dos meus pés, normalmente descalços e das minhas mãos, eu podia sentir o chão onde eu estava para ter noção do espaço e não me perder pela floresta nem cair em algum precipício ou buraco.
Haylla era uma mãe muito rígida e exigente. Não tolerava fraqueza nem lamurias da minha parte. Ela nunca me tratou como uma pessoa frágil e desprotegida, mas me moldou uma mulher forte e independente, que sabe cuidar de si mesma.
Naquele dia eu estava me sentindo mais quieta do que o normal, havia tido pesadelos na noite anterior. Passei por todo o treinamento rotineiro da manha. Quando meu corpo já não aguentava mais segurar a espada, passei a usar o meu arco, e assim estendi até o inicio da tarde, o sol já queimava minha nuca exposta. Meus cabelos eram longos, mas tinha o habito de prendê-los no alto da cabeça.
--- Nyx, já chega por hoje, você não pode ir além do que seu corpo pode suportar. Hoje ao anoitecer nós iremos ao lado mais denso da floresta para celebrar a lua cheia e você precisa estar em plenas condições para realizar o ritual. --  Minha mentora me repreendeu.
Eu havia me esquecido completamente que naquela noite seria lua cheia. Então me senti mais animada, mesmo sem poder realmente contemplar a lua, podia sentir sua energia sobre mim.
Eu fui até um lago, não muito longe da clareira para que pudesse me refrescar. Eu adoro mergulhar no lago e sei nadar muito bem. Porém costumo carregar um grande galho comigo, para saber por onde sair.
Fiquei um bom tempo relaxando, mergulhando, mas alguma coisa começou a me incomodar. Eu estava sendo observada com certeza, mas pela primeira vez não pude distinguir o que estava se aproximando.
Saí da água rapidamente e mantive meus reflexos atentos para qualquer surpresa que pudesse ocorrer.
Quanto mais eu ia em direção à parte mais densa da floresta, mais eu sentia uma presença estranha ao meu encalce e então um cheiro doce e inebriante inundou meu nariz. Apertei o passo, aquilo estava me assustando.
Minha tutora estava me aguardando com uma cesta de frutas e carne de um animal de médio porte que ela havia abatido e assado na pequena fogueira que ela havia feito.
Eu estava faminta depois de me exercitar o dia todo. Por uns momentos até me esqueci dos meus estresses e me juntei a ela em uma cantoria para os deuses e nossos ancestrais.
Nós vivíamos isoladas da sociedade por recusarmos a nos adequar aos novos costumes impostos e isso não era algo ruim para mim. Eu era livre e feliz.
Quando chegou a hora do ritual já estávamos vestidas de acordo e com flores nos cabelos e juntas nós invocamos os deuses e os elementos da natureza e dançamos em volta da grande fogueira.
Ficamos até altas horas da madrugada assim, até que Haylla se recolheu, mas eu estava tão elétrica que não pude dormir e permaneci do lado de fora da nossa casa, contemplando as estrelas.
Eu resolvi dar mais uma volta pelos arredores para me acalmar. Então novamente senti alguém me observando, mas dessa vez não demonstrei que havia percebido. Continuei andando normalmente para encorajar o que quer que fosse a se aproximar o suficiente para eu conseguir escutar.
Alguns minutos depois, ouvi um galho se partir. Muito suave, porém para mim não era o suficiente. Mudei minha direção repentinamente pelas sombras, o que pegou meu observidor desprevenido.
Eu o ouvi soltar um pequeno lamurio de frustração e foi ai que tive certeza de que era um homem. Não tive mais duvida, larguei o enorme galho que estava usando para me guiara pela floresta, puxei minha adaga que sempre ficava amarrado as minhas pernas e corri na direção dele.
Não dei a ele tempo de reagir, eu o derrubei por trás e com os pés, o segurei no chão e pressionei a ponta do meu punhal onde pelos meus cálculos, encontraria o coração.
Ficamos em silencio por alguns momentos, ele completamente surpreso e eu completamente apavorada.
-- Por que esta me seguindo?  -- indaguei tentando soar ameaçadora, mas minha voz me traiu e soou como um animal acuado.
--- Não deveria haver pessoas vivendo na floresta, não é seguro, principalmente para mulheres. – Ele disse com uma voz grave de tenor.
Ele tentou se levantar, mas eu forcei ainda mais meu punhal contra ele e com força o mantive no chão.
--- Quieto! Não se atreva afazer nenhuma graçinha. Eu te mato sem pensar duas vezes! – Eu o adverti.
--- Aye mulher, esta louca? Sou um guerreiro entre os meus, você não tem força para me enfrentar. --- Ele exclamou impaciente.
Ai eu perdi a paciência. Não havia sido treinada como uma lutadora para ficar ouvindo disparates como esse.
--- Quem é você afinal, eu costumo atacar primeiro e fazer perguntas depois, me dê um bom motivo para não lhe matar agora mesmo por tamanha ofensa. Não sou uma mulher qualquer, fui treinada para lutar. – Insisti.
--- Oh, você é uma gaulesa, posso ver claramente. Moça, aqui é um lugar extremamente perigoso, não deveria estar na floresta. E muitos animais vão até aquele lago para matar a sede, não deveria ir até la sozinha. --- Ele Afirmou de forma tranquila, como se eu não tivesse com uma lamina afiada pronta para ser fincada em seu coração.


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Re: conto: giulianyx

Mensagem por Lexi em 16/11/2013, 18:50

Aaai, Deusa, viciei.
Sempre vicio nas histórias no primeiro capítulo. Amei a personagem principal, eu adoro histórias que têm mulheres forte e independentes.
Gostei da trama mais antiga mas personagens de fortes personalidades, a história está com tudo para ser ótima.
Bom, estarei de olho esperando pela continuação
Shocked Shocked Shocked 
E parabéns você escreve muito bem.

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Re: conto: giulianyx

Mensagem por Nefertinny_Nyx em 16/11/2013, 18:55

Obrigado flor!! Fico lisonjeada, tu tb escreve muito bem viu, curti muito o seu fanfic!
vou postar um pouco mais então.

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Re: conto: giulianyx

Mensagem por Nefertinny_Nyx em 16/11/2013, 18:59

Mas a forma como ele disse, me pegou desprevenida. Em momento algum ele tentou me machucar, apenas se soltar e realmente pareceu preocupado comigo, sua oponente preste a mata-lo.
Dei-me conta de que eu estive certa o dia todo, eu estava sendo observada e fora ele quem esteve me seguindo, isso me deixou nervosa.
--- Tolo insolente! acha que eu sou o que, uma donzela indefesa?? Eu vivi aqui a minha vida toda, Deve ser um daqueles estrangeiros que invadiram nossas terras. --- Eu exclamei furiosa.
Ai foi a vez de ele perder a paciência. Com um giro invertido e um movimento que eu não consegui prever, ele se soltou e arrancou de minhas mãos minha adaga.
No desespero disparei na direção contraria e nem me lembrei de procurar o grande galho que estava usando como guia. Na verdade eu, pela primeira vez em muitos anos, me perdi pelo caminho. Ele estava atrás de mim, eu podia ouvir, mas eu não tinha a mínima noção de onde eu estava. Praguejei indignada.
Pro meu azar eu cai em um enorme buraco e machuquei meu tornozelo direito seriamente. Provavelmente estava quebrado.
--- Minha nossa, você esta bem? --- O rapaz disse se aproximando.
Quando ele segurou minha mão meu coração acelerou e meus pelos da nuca arrepiaram. Por instinto eu o empurrei para longe de mim.
--- Deixa disso, eu quero ajudar. Você mais parece um animal arisco! E esse buraco é enorme... como conseguiu cair ai mulher??? --- Ele resmungou
Não respondi, não reagi. Apenas continuei onde estava desejando que ele fosse logo embora e me deixasse em paz.
Ele suspirou e se aproximou novamente, mais devagar. Eu podia ouvi-lo respirar profundamente.
--- Escute, meu nome é Julius, não sou bem um soldado. Sou um guerreiro leal ao meu senhor e recebi ordens de vasculhar a florestas. Não é permitido morar na floresta por ser perigoso demais, venha, vou ajuda-la a chegar até a sua mãe e então as levarei até o condado. --- Ele disse me ajudando a apoiar o pé machucado.
--- Eu não costumo receber ajuda de ninguém, mas se quer me levar até aquele condado pode parar por ai, eu seguirei sozinha. Mas pra lá eu não vou nunca, e se você ainda não percebeu, eu não poderia ter isso este buraco ridículo, eu sou cega! --- Eu disse irritada com o comentário infeliz.
--- oh, peço desculpas. Não quis ofende-la. Vamos, já que insiste irei te levar de volta para a sua casa perto da clareira. --- Jullius disse, me surpreendendo mais ainda.
Eu estava exausta, meu corpo todo doía e meu tornozelo então estava muito pior. Depois de tropeçar pela terceira vez, o guerreiro me aninhou em seus braços gentilmente. Não fora algo difícil para ele, já que eu sou muito pequena e magra.
Em um contexto normal jamais permitiria que um homem me carregasse. Mas, não agüentava dar mais nenhum passo, estava exausta demais para protestar. Eu não conseguia compreender por que um homem como ele estaria se preocupando comigo, uma mulher deficiente de origem inimiga, pensei em lhe fazer essa pergunta, mas me contive, tinha medo da resposta que poderia receber.
Quando chegamos até a casa, pedi a ele que me deixasse ali antes de Haylla o visse. Ela com certeza daria um ataque e o mataria. O guerreiro me colocou no chão devagar, ficou segurando minhas mãos por alguns minutos e por alguma razão, não puxei ou tirei de alguma forma. Permaneci ali, reconhecendo aquele cheiro, aquele calor, aquele toque.
Porém logo a razão me venceu. Não era seguro para ele permanecer ali e nem para mim e para Haylla que ele soubesse nossa localização. Ele poderia nos denunciar a qualquer instante.
--- Vá agora, se ela descobre você aqui, vai mata-lo. --- Eu disse empurrando –o gentilmente na direção contraria.
Jullius riu baixo, provavelmente não acreditou na possibilidade de uma mulher oferecer perigo.
--- Ora, não ria, é um idiota mesmo não é... Talvez eu devesse acordar minha mentora para curar essa sua arrogância. Sei que não sou muita coisa, essa maldita cegueira me limita muito. Mas Haylla tem todos os sentidos funcionando perfeitamente e ela não é tão condescendente quanto eu, posso garantir. --- Eu respondi de modo insolente.
--- Você é de longe a mulher mais fascinante que conheci. Não vou cometer o erro de subestima-la outra vez, eu ri por que estou completamente pasmo. É a primeira mulher celta com quem tenho contato, digo, uma conversa. --- Ele respondeu sem graça.
--- Você insistiu para que eu dissesse meu nome, mas eu ainda não sei como você se chama. --- Ele Perguntou curioso
--- Meu nome é Giulianyx.

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Re: conto: giulianyx

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